Indicicador  Econômico

DE OLHO NAS FINANÇAS
Mauro Halfeld


A pequena grande diferença

Uma coisa que sempre me impressiona entre os pequenos e médios empresários brasileiros é a quase total ausência de controles gerenciais. Falo da enorme dificuldade de fazer contas, de medir desempenho.

Pedro tem uma loja de moda feminina num movimentado Shopping Center em Vitória (ES).Será que ele faz idéia de quantas pessoas entram na loja por mês?

Dessas, qual o percentual efetiva uma compra passando pelo caixa?


Quantas peças de roupas, em média elas levam?A que preço médio?Com que margem de lucro?Pois ele começou a fazer os cálculos e descobriu que perto de 4 mil pessoas entram na loja sendo que 25% passam pelo caixa, levando em média dois produtos ao preço médio de R$100,00, proporcionando a receita de R$200,00 mil com a margem de lucro de 25%, gerando R$50 mil de lucro bruto em um mês.

Imagine que Pedro possa melhorar 10% de cada um desses fatores. Assim se conseguir que 4.400 em vez de 4mil pessoas, entrem, e que 27%, e não só 25%, passem pelo caixa, comprando uma média de 2,2 itens, ao preço médio não de R$100, gerando uma receita muito maior; ao invés de R$ 200 mil, agora R$ 292 mil.                                                           

Com uma margem de lucro um pouco maior, de 27,5%, ele atinge um lucro líquido de R$ 80.00.
Isso, mesmo, uma melhoria de 10% em cada um dos fatores analisados, terá lucro de R$ 1,6 milhão, mais de 30vezes superior aos R$50 mil de hoje.           

Os japoneses puseram essa estratégia em prática. è o chamado processo de melhorias contínuas, Kaizen. Basta melhorar 1% por semana ou, quem sabe, 1% por mês, de forma consistente que, no final, você terá espantosa melhoria. Muito melhor do que fazer movimentos bruscos que geram estresse é promover essas melhorias lentas e contínuas.

Tomara que o Brasil consiga colocar essa idéia em prática.